De lá pra lá
Moda nasce no Oriente Médio, ganha a Europa e chega ao Brasil
Nina Evangelista
www.ninaevangelista.wordpress.com
ninaevangelista@hotmail.com
Estar em Londres é estar completamente por fora da moda no Brasil. É só passar um tempo por aqui e esquecer (e nem querer saber) o que é mania por lá. Primeiro de tudo, as estações são invertidas, ou seja, faz frio lá e a gente aproveita o sol aqui, o pessoal vai colocar o biquini lá enquanto perdemos a conta dos casacos que vestimos por aqui. Depois, claro, cada lugar com a sua moda, o seu tempo e suas manias. Não tem mesmo como ficar acompanhando cada nova coleção no Brasil para tentar seguir por aqui, ou vice-versa.
Mas sempre tem uma tendência que se globaliza e vira febre pelo mundo todo. E dessa vez, o inverno do Brasil caiu nas graças de um lenço que aqui já foi moda masculina, feminina e já não é mais uma tendência tão forte. Mas esse tal lenço continua à venda em cada esquina de Londres e agora tem brasileiro fazendo encomenda pra poder ficar na moda ainda na estação que está passando por lá.
O lenço da vez é geralmente xadrez ou alguma estampa semelhante e por aqui é chamado de Desert Scarf ou Keffiyeh ou, ainda, Shemagh, mas é mais conhecido no Brasil como lenço palestino. Não é possível citar a quantidade de cores que são misturadas com o branco e o preto, sempre com pequenas franjas como acabamentos. Na hora de sentir o tecido, a impressão é que você está tocando o mais pobre dos materias encontrados pra fazer uma peça de roupa, quase como uma lã bem fina, mas é só mais um detalhe de que é extamente este o lenço que virou moda no Brasil.
O Keffiyeh é tradicionalmente usado por homens em algumas regiões do Oriente Médio como proteção para cabeça e rosto. E em cada lugar é usado de maneira diferente, como um turbante, por exemplo, ou com um pedaço do pano caindo pelas costas e ombros. Assim como a combinação de cores também muda conforme a região.
O uso deste lenço como cachecol entrou na moda no final dos anos 80, nos Estados Unidos e um pouco depois, no ínicio do ano 2000, quando os jovens começaram a usar pelas ruas de Tóquio. Com o passar do tempo Europa, Canadá e Austrália também aderiram à mania. Neste ano, lojas renomadas passaram a vender o scarf em Londres e no meio da correria para estar em dia com o mundo fashion, a loja Urban Outfitters tirou seu estoque de circulação depois de um blog ter ridicularizado a idéia da marca colocar na etiqueta da peça algo como “scarf anti-guerra”.
Dizem que no Brasil não é tão fácil de encontrar e que custa na faixa de R$ 60. O que parece piada aqui para nós, não é mesmo? Pela Oxford Street ou por Piccadilly Circus os lenços são vendidos por 5 libras, mas se for pechinchar em Camdem Market, por exemplo, você consegue levar 4 deles por apenas 10 libras.
As combinações vistas pelas ruas são as mais inusitadas e ainda assim bastante divertidas e estilosas. Uma camiseta com estampa pode ser usada com um lenço que mistura cores diferentes, dando um clima discontraído no visual. Não existe regra de como usar este lenço e para tentar um look mais despojado é só usá-lo de “qualquer jeito” mesmo. Quanto mais desarrumado, mais interessante. Mas se você quer seguir a risca a maneira ideal para usar este lenço, existe uma forma especial de amarrá-lo no pescoço.
Dobrado em forma triangular, você coloca o lenço ao contrário do estilo escoteiro – que tem a ponta caída nas costas. Com a ponta na frente, agora é só enrolar o lenço pelo pescoço e deixar as duas extremidades na parte da frente também. Ou seja, três pontas caídas na parte da frente, uma ajeitadinha… it’s done!

2 respostas Até agora ↓
musicyourself // Setembro 22, 2008 às 12:52 pm |
adorei!!!
Scarf no The Guardian « Nina Evangelista’s Weblog // Setembro 25, 2008 às 8:22 pm |
[...] atrás eu escrevi a matéria sobre o scarf (plural – scarves) e foi publicada no Brazilian News. Postei aqui no blog!!! E olha o que saiu ontem no caderno G2 do The [...]