JÁ QUE FOI UM PRESENTE E ME DERAM TOTAL LIBERDADE PARA FAZER USO ‘DELE’…
AI ESTÃO AS PALAVRAS QUE ME PARALISARAM NOS ÚLTIMOS DIAS!!!
MARINA MORENA
Familiar este título! Longe de mim querer parafrasear o poeta Dorival Caymmi. A personagem deste texto merecia um texto escrito por ele e não por este esforçado e limitado narrador.
No caso deste título nada mais apropriado para àquela que apareceu em um passe de mágica, durante momentos de turbulência, em uma noite de carnaval completamente sem “bússola”. Detalhe: era uma festa a fantasia e estava vestido de Duende, só que as pessoas insistiam de me chamar de Papai Noel Verde!
Às vezes coisas sem sentidos acontecem e pessoas podem aparecer e desaparecer em um toque de mágica, ou diria, se materializarem como nos melhores filmes de ficção.
Enfim, a pior solidão que podemos ter é aquela que acontece quando estamos rodeados de pessoas. E era exatamente esse sentimento que aflorava em mim naquela primeira noite de carnaval. Já havia visto Ela em uma festa de uma turma de direito e a rosa tatuada em seu ombro era como um sinal para, quem sabe um dia, poder encontrá-la.
Todos os sentimentos possíveis já tinham passado pela minha cabeça, naquela sexta-feira, de felicidade, de êxtase, de renascimento, porém o sentimento mais latente dentro de mim era a tristeza e o vazio.
Já passava das duas horas da manhã e o sentimento era potencializado pela cerveja que ia entrando como antídoto, mas fazia efeito totalmente ao contrário, ou seja, parecia um veneno.
Até então qualquer esperança de felicidade e conforto passava longe daquele lugar. Foi então algo que é inexplicável aconteceu. Aquela rosa tatuada passou por mim e logo o papo fluiu e a conversa atenuou toda a loucura sentida e o redemoinho de sentimos foi-se alocando em seu devido lugar. Não há como se esquecer de um amigo, digo, naquele instante era somente conhecido que ao nosso lado flertava com a amiga da dona daquela singela rosa. Ninguém flerta no carnaval, alugava a “pobre menina” que “ingenuamente” se deixava levar…
Como já escrito existem pessoas que aparecem nesta vida sem explicação alguma e com toda a certeza são envidadas ou materializam-se com alguma missão.
Pobre dela, em alguns minutos já “vomitei” diversos sentimentos, impressões, desejos, tristezas e tudo aquilo que não deve ser dito para alguém que não conhecemos.
Estava precisando de alguém e talvez este alguém estivesse precisando de mim, mas em nenhum momento foi egoísta. Absteu-se de qualquer necessidade para dar atenção a um desconhecido sequelado.
Fiz confissões jamais feitas a nenhum amigo e seus olhos sempre atentos não desviavam, logo vieram suas palavras de conforto e os conselhos foram fundamentais para agüentar meus últimos minutos naquela festa.
Final de festa, início de uma história singular de muito respeito, de alguns desacertos, mas, sobretudo, de muito carinho e amor. Sim, não amamos só nossa família, nossa namorada, amamos nossos amigos. Outro dia escutei uma frase que é mais pura verdade. AMIGO É A FAMÍLIA ESCOLHIDA! Tenho certeza que a afirmação acima não carece de comentário.
Ainda durante o Carnaval nos encontramos mais algumas vezes, e as ligações foram se sucedendo. Enfim, o contato telefônico era feito diariamente por todos os motivos possíveis e inimagináveis. A aflição fazia parte do meu dia a dia, cada projeto, cada decisão era comentada e discutida. Passei a conhecê-la, fizemos poucas e boas. Muito em razão do nosso gosto pela musica (para a noite) pagode. No cotidiano adoramos MPB, apesar dela ser apaixonada Chico Buarque e eu outros compositores, no final gostamos da mesma coisa.
Meu mundo foi fundindo-se ao dela, suas amigas passaram a ser minhas amigas e as suas musicas passaram a ser as minhas musicas. Num certo momento haviam musicas que não havia como escutá-las sem lembrar desta morena formidável.
Fazer parte do seu mundo era perceber o quanto as pessoas podem realmente gostar de alguém e contribuir e retribuir fluidos positivos. A relação dela com as amigas e com a mãe era surreal e serviu como aprendizado. Às vezes escutamos ou lemos sobre a vida ou até mesmo uma biografia de alguém e não conseguimos imaginar como era a vida desta pessoa no mundo real.
Pois bem, Marina ou simplesmente Nina é sinônimo de alegria, amizade, compreensão, festa, cerveja, pagode e, sobretudo, de fidelidade aquilo que acredita que é fazer bem aos outros.
Sempre que observamos alguém com tantos predicados imaginamos que esta pessoa faça caridade com pessoas necessitadas de bens materiais. Só que no seu caso, sua caridade é exposta na forma mais difícil de ser vista nos dias de hoje com atenção e carinho a todos que a cercam.
Voltando a nossa relação, jamais esquecerei a serenata realizada por ela e suas amigas, em uma noite de sábado, em um show do swing maneiro (banda de pagode de Floripa) em que fui acordado com o toque do meu celular e atônito escutei duas, três, talvez quatro amigas cantando uma música para mim. Como se fosse hoje. “Lu escuta…”
Lembro também da época em que a rádio UDESC tinha a honra de tê-la como comunicadora e não raras vezes me programava para dirigir durante a sua árdua tarefa diária de comunicadora.
Um dia após escrever um texto que pretendia enviar para o jornal, texto jurídico, encaminhei para ter a sua impressão e recebi criticas importantes para a construção correta de um artigo. “Ai Luciano, tem muito número”. Até hoje furto seus conhecimentos e impressões a cada escrito. Espero que seus ensinamentos tenham sidos compreendidos, pois caso contrário, vai odiar este rascunho.
Os dias, semanas, meses, anos foram passando e os contatos já não eram mais diários e com o tempo a distância foi aumentando até o distanciamento completo. Faço aqui a minha meia culpa.
Certo dia deparei-me com uma notícia que subitamente lançou meus sentidos a Ela. Ocorria algo muito triste com alguém que sabia fazia parte de seu universo, ou seja, estaria precisando de mim. A distância entre nós já não era pequena, creio que maior que de um oceano que de fato nos separa hoje, egoisticamente furtei-me de qualquer ajuda.
Logo ocorreu um recomeço. Entristeceu escutar da sua boca a necessidade de mim naquele momento. Não há o que fazer num momento como esse a não ser pedir desculpas. Marina desculpe-me!
O reencontro foi no momento da partida, agora não mais metaforicamente, um oceano iria nos separar. Hoje estamos mais perto com milhares de metros cúbicos de água nos separando que quando morávamos com uma baia nos separando.
Ficaram as lembranças, os pagodes, os amigos em comum.
Os instrumentos que a tecnologia nos proporciona são capazes disto. Impressões, desabafos, conselhos voltaram a fazer parte do nosso cotidiano que, francamente, espero que nunca acabem.
Preciso agradecer por todo o desprendimento, carinho, respeito e amor. Obrigado!
Daqui a alguns dias estarás na amada terrinha. Seja bem vinda! Marina Morena, Marina, você se pintou…
O texto é seu! Tenha total liberdade com ele.
Qualquer um que leia pode pensar que a nossa relação não seja de amizade que tenha algo a mais. Coitado daquele que não tem uma verdadeira amiga. Brigado!